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Mês da Bíblia: Escutar e viver a Palavra de Deus




O mês de setembro é denominado na Igreja como mês da Bíblia. E a Sagrada Escritura é fonte de evangelização. Dar ouvido a Palavra de Deus significa abandonar o comodismo pastoral, seu imobilismo e tradicionalismo: “fez-se sempre assim”. Levar em conta as realidades da comunidade, paróquia e diocese, considerando as periferias sociais, geográficas e existenciais para que a saída tenha um objetivo bem concreto: ir ao encontro das pessoas em sua realidade.


Na relação entre os seres humanos a palavra exerce um papel fundamental no ato comunicativo. Embora as pessoas possam usar outros signos para se comunicar, a palavra constitui um dos meios mais eficazes do ser humano se fazer entender. Em hebraico, só há um termo (dabar) para dizer “palavra” e “acontecimento”. Na Antiguidade, considerava-se que toda palavra pronunciada tinha um poder mágico e produzia o que significava.


Mas, sobretudo, considerava-se que só a palavra de Deus era realmente eficaz: só ela se realiza sempre. A Palavra de Deus se torna presente e eficaz em Jesus, que é o Verbo de Deus encarnado (cf. Jo 1,1-3). Sendo a palavra do Pai, Jesus demonstra pelo poder de sua Palavra a vontade de Deus Pai para a humanidade. É uma palavra que questiona, que inquieta, que arranca do comodismo e leva a dinamicidade, ao novo e inesperado.


Durante sua vida terrena Jesus usando de palavras a muitos convenceu e libertou, outros se escandalizaram. No entanto, quem acolheu sua palavra teve sua vida transformada. Um exemplo da importância da Palavra de Deus na vida do discípulo missionário foi o que aconteceu com Simão Pedro, quando Jesus pede a ele para lançar as redes em pleno dia, o pescador não obedece por estar convencido racionalmente. Ele lança as redes “em atenção à palavra de Jesus”.


Simão Pedro, numa atitude de fé e confiança na palavra do Mestre de Nazaré, responde afirmativamente a sua ordem. A palavra de Jesus na vida de Simão Pedro torna-se eficaz, pois o pescador não deu somente atenção ao pedido do Mestre: ele ouve a palavra e a coloca em prática, obedece, faz a palavra tornar-se acontecimento. Nele a palavra de Jesus é dabar, é palavra e acontecimento ao mesmo tempo.


A obediência na palavra de Jesus mostra que Simão Pedro calou-se e deixou Deus, por sua palavra, transformar sua vida, sua inteligência e suas convicções. É como diz o profeta Isaías: “assim acontece com minha palavra que sai de minha boca: ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei” (Is 55,11). Desse modo, a palavra de Jesus para Simão Pedro o faz mudar de ideia e obedece-lo. Diante desta palavra que o convida a fazer-se ao lago e lançar as redes em pleno dia, Simão pensa que a ordem seja insensata e que os esforços que lhe pede sejam inúteis e ridículos. No entanto, obedece, confia e, por fim, obtém um resultado inesperado, surpreendente, extraordinário.


Assim como Simão Pedro, na vida cotidiana de cada pessoa existem muitos fracassos e desilusões. No entanto, apesar da falta de animo para recomeçar e arriscar, é necessário como aquele pescador da Galiléia, buscar motivações para voltar a lançar as redes. E a motivação principal deve ser uma palavra que ultrapassa os esquemas lógicos, que fazem ir além da realidade conhecida.


Essa palavra deve ser a Palavra de Deus, que fez um pescador se render aos conselhos de um carpinteiro; que fez o experiente pescador não ter vergonha de tentar apanhar peixes em pleno dia; que fez desaparecer o cansaço de uma noite intensa de trabalho. Dessa forma, a Palavra de Deus na vida do cristão deveria ser sempre dabar, ou seja, acontecimento, realidade, concretização da vontade do Pai.



Pe. Odair Lourenço Ribeiro

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