Páscoa é tempo de renovar o amor por Cristo ressuscitado


Depois da ressurreição, Jesus entrou em contato de novo com os discípulos. A cena é a mesma do primeiro chamado dos pescadores. Há o lago da Galiléia e os discípulos estavam pescando. Todos voltaram a ter a mesma vida de antes, angustiados e decepcionados. Certamente tiveram a impressão de ter jogado fora três anos de vida com o agravante de não terem permanecido fiéis às propostas do Mestre. É neste exato momento que Jesus apareceu. Tinham jogado as redes a noite toda e não tinham pescado nada. A convite do Senhor (sem saber que era ele), jogam de novo as redes e pescam uma grande quantidade de peixe.


O fato de pescar tamanha quantidade de peixe é um prelúdio que faz prever algo de extraordinário. Havia, no entanto, um outro particular a ser considerado: a imagem da fogueira. Quando os discípulos chegaram à margem do lago, Jesus já se encontrava lá, ao redor da fogueira acesa, cozinhando peixes (cf. Jo 21,9). Uma outra fogueira estava presente quando Simão Pedro, no pátio dos sumos sacerdotes, esquentou-se com alguns servos (cf. Lc 22,56). Esta fogueira estava ligada à tríplice negação de Simão Pedro. Não é por acaso que de novo a imagem da fogueira apareceu. Antes, a fogueira da traição e da crise, agora, a de um novo começo. De um lado, o abismo e, do outro, um novo encontro com o Senhor.


Depois de comerem, Jesus toma a palavra e convida Simão Pedro a um novo seguimento. Ele não usa mais as palavras anteriores: “Vem e segue-me”, mas introduziu sua fala com uma tríplice pergunta: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (Jo 21,15). A resposta de Simão Pedro é imediata: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo” E Jesus acrescenta: “Apascenta os meus cordeiros/ovelhas” (cf. Jo 21,15-17).


A forma de Jesus se dirigir a Simão Pedro é estranha. Entretanto, o conteúdo indica uma maneira mais radical de seguimento. É sobre o amor que o Mestre tem para com o discípulo e vice-versa que deve ser medido o novo compromisso. Não é mais questão de boa vontade ou de entusiasmo, nem é questão de encontrar argumentos lógicos. A proposta é que o discípulo sinta o amor do Mestre e o retribua com um amor radical. Aqui, parece estar o sentido da maior radicalidade do discipulado: deixar-se amar e amar o Senhor. É na experiência do fracasso e da crise que emerge a realidade da misericórdia e, com esta, a revelação do amor incondicional de Jesus; é na vulnerabilidade extrema de Simão Pedro que o amor do Mestre lhe foi revelado.


O que é curioso no diálogo com Simão Pedro, são as condições