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Felizes os que choram

“Bem-aventurados os que choram, pois eles serão consolados” (Mt 5, 4)



Um elemento essencial que acompanha a vida de Jesus é o choro. Jesus chora e ensina o homem a chorar. O novo testamento narra três ocasiões onde Jesus chorou. Ele chorou quando seu amigo Lázaro morreu (Jo 11, 32-36; Jo 11, 38); Jesus chorou quando avistou a cidade de Jerusalém e observou a incapacidade dos homens em acolher a salvação (Jo 19, 41-44); Jesus também chorou momentos antes da crucificação quando orou ao Pai para que fosse salvo da morte (Hb 5, 7).


Jesus é forte, mas em cada um destes episódios também é revelada sua fraqueza. Ele é forte porque é Deus: “todas as coisas foram feitas por ele, e nada do que foi feito, foi feito sem ele” (Jo 1, 1). Acaso há poder maior do que criar todas as coisas sem trabalho algum? Mas este que é o Todo-Poderoso se fez fraco: “O verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). O Filho de Deus se fez homem, assumiu um corpo humano e uma alma humana, consequentemente assumiu tudo aquilo que é próprio da vida humana como os sentimentos, inclusive a tristeza que culmina em choro: “Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado.” (Hb 4,15).


Jesus chorou porque de fato Deus assumiu a natureza humana, mas também chorou para ensinar o homem a chorar. O pranto de Jesus significa entre outras coisas a capacidade de se compadecer, de sentir a dor do outro, de não ser indiferente, mas ficar comovido com as necessidades do próximo. A maior necessidade que o ser humano tem é a necessidade de salvação, por isso Ele chora por aqueles que se fecham à salvação e permanecem fechados no pecado que gera o autêntico sofrimento.


São Jerônimo ensina que o choro pela morte das pessoas não é apenas o choro da morte natural, mas trata-se de um choro pela morte espiritual, é o choro por aqueles que foram mortos em razão do pecado e dos vícios. Assim Samuel chorou por Saul (1 Sm, 16); e Paulo, aqueles que depois de seus atos de impureza necessitavam arrepender-se.


Com o seu choro Jesus ensina o homem a chorar.


Devemos deixar o egoísmo e o doentio espírito de competição que vive nossa sociedade de lado e começar a nos importar mais com o próximo ao ponto de chorar suas misérias, sobretudo o pecado. Devemos chorar quando perdemos coisas queridas, sobretudo quando perdemos aquilo que é mais importante: a amizade com Deus! Os que choram os seus pecados são consolados pelo perdão que recebem de Deus!


O pranto de Jesus também ensina que existe um lugar certo, um lugar adequado para direcionar os sentimentos quando estes estão “agitados”. Assim como Jesus “mergulhava” seus sentimentos no Pai através da oração cada pessoa deve constantemente derramar suas lágrimas em Deus através da oração sejam elas lágrimas de alegria ou de tristeza.


Feliz o homem que chora como Jesus chorou, afinal de contas será consolado. Jesus é o Consolador dos homens e antes de morrer prometeu que enviaria outro Consolador para ficar para sempre conosco (Jo 14, 16). Este outro Consolador é o Espírito Santo. Aquele que chora como Jesus chorou é feliz, pois tem a garantia que é consolado pelo Espírito Santo!



Leandro Benedito Ferreira

Analista de Sistemas e Pós Graduado em Filosofia da Educação

Renovação Carismática Católica – Comunidade Javé Nissi

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