Catequese em tempo de pandemia



Neste tempo de pandemia que estamos passando a vivencia cotidiana de todos mudou muito. O ritmo de vida cotidiana não é o mesmo tanto na vivencia familiar, social e religiosa. No âmbito religioso muitas dificuldades são enfrentadas. No entanto, a fé deve ser vivida e manifesta em todos os momentos da vida.


O processo catequético na pandemia também foi comprometido especialmente porque não está sendo possível ter os encontros catequéticos presenciais. O modo de organização catequético vivenciado até antes da pandemia não funciona em período de distanciamento e isolamento social.


Quero fazer memória que o processo catequético não pode ser concebido somente com encontros semanais. O processo de conhecimento e vivencia da fé requer vida familiar de oração,oração pessoal, testemunho da fé em sociedade e principalmente a participação nas celebrações da comunidade. Estamos tendo a possibilidade de celebrarmos juntos em comunidade nas missas, celebrações da Palavra, terços, confissão comunitária e outros momentos de oração.


Tem me preocupado bastante o momento que estamos vivendo. Não passa uma semana sem que alguém me pergunte: “Padre, quando será a Primeira Eucaristia? Quando será a Crisma?” Essas perguntas num primeiro momento são importantes porque expressa a importância que damos aos Sacramentos. No entanto, essas perguntas são contraditórias quando questionamos: os catequisandos têm participado das missas, celebrações, momentos de orações da comunidade, tem se aproximado do sacramento da confissão (crismandos)? Infelizmente o que temos percebido é uma pequena ou quase nenhuma participação dos catequisandos na vida comunitária.


A questão central na vida crista católica é que os sacramentos devem ser vivenciados em comunidade. A pessoa recebe os sacramentos para participar mais plenamente da vida comunitária e assim estar em comunhão com Cristo. A Eucaristia nos une a Cristo e aos irmãos e irmãs; a Confissão me reconcilia com Deus e a comunidade; a Crisma é a maturidade da fé, expressa que a pessoa vive a fé e ama Cristo presente na Igreja. Fazer Primeira Eucaristia, ser crismado(a) mesmo em tempo de pandemia não é o grande desafio, a dificuldade é a vivencia desses sacramentos.



Aos queridos catequistas ofereço algumas dicas para o momento que estamos vivendo em vista de continuarmos em comunhão com os catequizando e suas famílias:


1- Antes de qualquer coisa, lembre-se: com qual tipo de público você trabalha? Crianças? Jovens? Adultos? Catequese de Batismo, Comunhão ou Crisma? Todas as estratégias precisam ser pensadas, especificamente, para o seu tipo de público. Às vezes, algumas ideias funcionam muito bem com os jovens, mas passam longe de despertar o interesse dos adultos.


2- Outras questões tão importantes quanto as demais: seu público tem acesso às novas tecnologias (Smartphones, tablets, computadores, etc.)? E a conexão de internet é de mínima qualidade?


3- Mantenham-se em contato. Não precisa ficar dando “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” todo dia ou mandando links de oração pela pandemia toda hora. Todo mundo se cansa dos excessos, sabemos disso. Uma boa dose seria a frequência dos encontros do seu grupo em tempos comuns. Por exemplo, eu me encontro com o meu grupo todas as quarta-feira a noite. Então, pelo menos, toda quarta-feira a noite eu promovo alguma iniciativa com os meus catequizandos. As iniciativas possíveis são várias. Eis algumas que têm sido partilhadas comigo por alguns catequistas:


  • Gravar um vídeo curto de até um minuto mandando uma mensagem positiva para seus catequizandos, pedindo que fiquem em casa o máximo possível e que não deixem de rezar. Esta sugestão é ainda mais especial para você catequista de crianças. Lembre-se que elas podem estar com saudades de você e ver um vídeo seu pode ser animador, ainda mais se você falar o nome delas.


  • Enviar para os pais e/ou responsáveis das crianças links de materiais de conteúdos cristãos católicos que eles podem usar em casa como jogos, desenhos para pintar, animações para assistir, tirinhas para ler.


  • Lançar desafios semanais como colocar um ramo na porta de sua casa e partilhar uma foto no grupo do Facebook ou Whatsapp.


  • Compartilhar com eles a programação das transmissões ao vivo das celebrações de sua paróquia; e convida-los a participar presencialmente das celebrações comunitárias possíveis para o momento;


  • Dar dicas de filmes e séries (com posterior discussão em grupo virtual);


  • Fazer chamadas de vídeo pelo Skype, Zoom, ou Google (ou outros) com todos para conversarem um pouco, partilharem sobre a semana e até mesmo para refletir sobre algum tema do itinerário catequético;


  • Ligar para todos individualmente. Não precisa ligar para todo mundo no mesmo dia e também a ligação não precisa durar uma hora. Se durar, que ótimo! Mas, crie uma programação de ligações. Preferencialmente aquelas ligações diretas, as tradicionais já tão esquecidas. Ou até mesmo uma ligação online. Troque algumas palavras, pergunte como está a situação dele/dela e de sua família, reforce que você se preocupa com eles. É ótimo saber que há quem se preocupe conosco, nos dê atenção e esteja disponível.


Lembre-se, somos catequistas: cada um(a) de nossos catequizandos tem valor inestimável para nós.

Catequistas, nossas comunidades continuam precisando de você, de seu comprometimento, de sua presença. Como verdadeiros educadores da fé, fujamos da tentação de nos entregarmos ao medo e

ao pensamento de que “não há o que fazer, a não ser esperar”.


Façamos como tantos outros santos e santas de Deus que em tempos de provação e sofrimento foram sinais da presença misericordiosa de Deus na vida da comunidade.



Pe. Odair Lourenço Ribeiro


Cf. http://cnbbne2.org.br/confira-15-dicas-para-a-catequese-emtempos-

de-pandemia/

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