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Pobres no espírito

“Bem-aventurados os pobres no espírito, pois deles é o Reino dos Céus.” (Mt 5, 3)


Arte: Luís Henrique Alves Pinto

As bem-aventuranças resplandecem a nova imagem do mundo e do homem, que Jesus inaugura, elas são no fundo uma biografia de Jesus, um retrato da sua figura. O Cristo tem como um elemento essencial constitutivo de sua alma a pobreza no espírito, Ele é o verdadeiro pobre e ensina que a pobreza deve ser adotada como um estilo de vida.


A expressão “Bem-aventurado” tem sua origem no grego “makarios” e significa sentir-se em estado de satisfação plena, a qual não pode ser desestabilizada por fatores externos. É uma exclamação que reconhece um estado existente de felicidade. Pode-se com isso afirmar que a pobreza no espírito é um elemento gerador de realização, de felicidade.


No mundo material uma pessoa rica é aquela que possui muitos bens, muito dinheiro e/ou muitas coisas de valor ao passo que o pobre é o oposto; trata-se daquele que é desprovido ou mal provido do necessário, de poucas posses, que não tem recursos próprios. Jesus se utiliza dessa realidade material que entendemos bem para nos ensinar algo de valor mais profundo e espiritual.


O rico de espírito é aquele que tem a alma inchada, ou seja, aquele que é orgulhoso, soberbo. Santo Agostinho afirma: “E quem ignora que aos soberbos se chama inflados, como se estivessem inchados de vento? Donde também o dizer do Apóstolo: A ciência incha, mas a caridade edifica (1 Cor 8,1)”. Os pobres no espírito são exatamente o oposto, são os humildes e tementes a Deus, ou seja, os que não tem espírito inchado. Os soberbos amam e desejam os reinos da terra enquanto os pobres de espírito amam e possuirão o reino dos céus.


A pobreza no espírito também faz referencia a relação do homem com os bens materiais. Santo Tomás de Aquino ensina que pobres de espírito são os que têm a capacidade de desprezar as riquezas ou honras, por meio da humildade. Estes pobres são os necessitados de Israel, os anawin que preferem o serviço divino a vantagem financeira. Sua pobreza é real e econômica, mas com uma dimensão espiritual.


É importante ressaltar que a pobreza ensinada por Jesus não é a miséria, Ele não está afirmando que é proibido possuir algo, mas está ensinando a ser livre em relação à matéria. “Ter como se não tivesse” (1 Cor 7,29). Aquele que possui o espírito inchado é aquele que acaba sendo escravizado pelos bens materiais, ao invés de se servir dos bens acaba vivendo para servir os bens.


A nossa sociedade atual a cada dia mais instrui as pessoas a serem ricos de espírito, a viver apenas para conquistar coisas para este mundo, a gastar sua vitalidade apenas em vista da matéria e a consequência disso é a escravidão. Jesus Cristo por sua vez chama cada pessoa a ser pobre no espírito, ou seja, buscar em primeiro lugar o Reino dos Céus, saber desfrutar da matéria sem permitir que ela o escravize afinal de contas o resultado disso é a autentica liberdade, a autentica felicidade.


Peçamos ao Espírito Santo que nos faça dia a pós dia semelhantes a Jesus Cristo, pobres no espírito, e assim nos dê a graça de alcançar o Reino dos Céus!




Leandro Benedito Ferreira

Analista de Sistemas e Pós Graduado em Filosofia da Educação

Renovação Carismática Católica – Comunidade Javé Nissi


Fontes:

Bento XVI: Jesus de Nazaré

Santo Agostinho: Sobre o Sermão do Senhor na Montanha

Santo Tomás de Aquino: Suma Teológica

Fonte: https://www.meusdicionarios.com.br/

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