A missão nasce no seio de uma comunidade




A comunidade é um espaço privilegiado no despertar vocacional e no fortalecimento do espírito missionário. Orar, refletir e comprometer-se com a missão que é a essência da vida de todo batizado e batizada: como o Pai me enviou, Eu também lhes envio” (Jo 20,21). Por isso a vocação à missão envolve toda a comunidade. A missão sempre se origina no seio de uma comunidade, nenhum missionário é franco atirador, e sim enviado por alguém ou por um grupo.


É no seio da comunidade que nasce tanto a vocação quanto a missão (At13,1) e a esta comunidade os discípulos voltarão quando terminar sua missão (At 14,27-28). A comunidade está toda envolvida com a missão dos discípulos, não é uma realização pessoal, mesmo que se trate de uma vocação pessoal.


A comunidade sente a necessidade de difundir a Boa Nova e por isso envia missionários. Se uma missão origina-se numa comunidade, da mesma forma a missão realiza- se de maneira comunitária. Não precisa insistir no caráter trinitário da missão de Jesus. Mas, ao começar a sua missão pública Ele quis, em primeiro lugar, reunir uma equipe. O interessante é que os quatro evangelistas são unânimes a narrar logo antes do inicio da missão de Jesus, a sua escolha dos primeiros discípulos (Mt 4,18-22;Mc1,16-20; Jo 1,35-51). Os apóstolos também foram enviados dois a dois (Lc 10,1) e voltaram junto de Jesus para contar o que aconteceu (Lc10,17).


Em Antioquia são dois os que foram escolhidos para levar à frente o anúncio da Palavra. Ele vai ainda levar consigo Marcos. Quando Paulo vai se separar de Barnabé, os dois vão formar novas equipes: Barnabé com João Marcos e Paulo com Silas (At 15,39-40). Em corinto, Paulo formará a equipe com um casal: Áquila e Priscila. Ele terá também como companheiros Timóteo e Silas.


Podemos reler o capítulo 16 da carta aos Romanos para perceber quantos companheiros de evangelização trabalharam com Paulo, homens e mulheres (Rm 16,1-15 e 21). A missão sai da comunidade para lá volta depois de haver suscitado outras comunidades. Percebemos aqui o laço forte que existe entre missiologia e eclesiologia. Para assumirmos a missão, temos que estar preparados a dizer “nós”.