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O evangelho grego



O termo “evangelho” é a tradução portuguesa da palavra grega Euangelion que ao longo dos tempos foi notavelmente enriquecido de significados. Para os gregos mais antigos “evangelho” indicava a “gorjeta” que era dada a quem trazia uma boa notícia. Mais tarde passou a significar uma “boa nova”, segundo a exata etimologia do termo.


Falava-se de “evangelho”, nas cidades gregas, quando ecoava a notícia de uma vitória militar, quando os arautos noticiavam o nascimento de um rei ou de um imperador.


Ao termo estava unida a ideia de festa com cânticos, luzes e cerimônias festivas. Era, em suma, o anúncio da alegria, porque continha uma certeza de bem estar, de paz e salvação.


O evangelho não é uma notícia qualquer ou uma simples notícia agradável como receber uma informação pelas redes sociais ou o aviso de que um ganhou um sorteio. Trata-se de uma notícia que tem o poder de estabelecer um antes e um depois, um anúncio poderoso que carrega a resposta para grandes anseios da humanidade. A proclamação do evangelho está relacionada ao abandono das inseguranças, incertezas, medos, sofrimentos, ou seja, constitui a saída de uma “situação de mal” para a inserção numa “situação de bem”.


Este evangelho “grego” por mais poderoso que possa ser é ainda insuficiente e limitado. Quanto tempo dura a paz/segurança/alegria de um povo? Até que outros povos mais fortes façam guerra? Enquanto houver estabilidade econômica e política? Enquanto o líder da nação for justo? É importante ressaltar que o evangelho “grego” não é capaz de abarcar os maiores dramas da humanidade: a morte e o sentido da vida. Mesmo que seja extinta a guerra e se constitua ordem política e econômica a morte continuará ceifando cada pessoa e não se poderá garantir que cada indivíduo conheça a razão de sua existência ao ponto de identificar algo pelo qual valha a pena viver e morrer.


É uma triste constatação, mas a grande massa da sociedade tem aguardado ansiosamente por uma boa nova que não é nada além desse evangelho grego com “e” minúsculo.


O motivo de grande alegria/segurança/paz da sociedade pode não estar no fim da guerra ou no nascimento de um novo rei diretamente, mas está naquilo que isso representa: segurança física (saúde), política, econômica.


A humanidade tem aguardado ansiosamente pela notícia a respeito dos negócios, pela notícia de que conseguiu um grande cargo numa empresa, passou num concurso público, pela notícia de que seus bens foram valorizados, etc. Muitos tem se assumido como militantes políticos, pois aguardam ansiosamente a notícia de que o seu ideal politico está prestes a assumir o poder e dominar.


No final das contas todos querem segurança, querem sentir-se salvos, mas estão elegendo a economia (o dinheiro) e política como o porto seguro capaz de garantir a estabilidade definitiva. A parábola do homem rico que produziu muito, que construiu novos celeiros e disse a si mesmo: “tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te” descreve perfeitamente a notícia aguardada pela grande massa da juventude.


Porém Deus continua dizendo: “Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12, 16,21). A humanidade necessita de um Evangelho com “E” maiúsculo: Jesus Cristo. Sua presença sim estabelece um verdadeiro antes e um depois, Ele tem o poder de remover o homem do verdadeiro mal, o pecado (raiz de toda desordem) e inserir no bem (Deus). Ele é o sentido da vida e a vitória sobre a morte!


Os negócios, o diploma, o emprego, o concurso, o dinheiro, a política por melhores que possam parecer são insuficientes. Jesus é suficiente, pois Dele provém à paz, a alegria, a segurança e a salvação definitiva!


Ele é o porto seguro!



Leandro Benedito Ferreira

Analista de Sistemas e Pós Graduado em Filosofia da Educação

Renovação Carismática Católica – Comunidade Javé Nissi

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